quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

''Apaixonar-se por humanos?''


''Sabe, esse é o tipo de pergunta que eu ouço sempre e até entendo o espanto quando digo que não é somente possível, como frequente. Vamos partir do pressuposto de que os vampiros são os predadores naturais dos humanos. Isso nos coloca eternamente perseguindo os humanos e eternamente em contato com eles. Existem tantos humanos atraentes no mundo, não digo somente pelo cheiro diferenciado do sangue, mas também pelas formas e conteúdos. Conheço muitos que se deixaram levar por essas paixões e acabaram perdendo a cabeça, literalmente. Quando somos novos, digo recém criados, temos uma sede terrível que coloca não somente os humanos em perigo, como a nós mesmos. Com o tempo aprendemos a controlar essa sede, nos possibilitando a aproximação com humanos não apenas para a alimentação. Aos poucos, vamos retornando ao convívio social aprendendo novamente como ser mais racional e conhecendo o seu limite. Demorou mais de cinco anos para eu conseguir me inteirar por completo a sociedade, tinha receio de acabar prejudicando o meu tutor. Depois de anos já acostumado com as pessoas, eu conheci alguém. Sinceramente eu estava pior que um adolescente quando se apaixona, era a primeira vez que eu ficava tão atraído por uma humana. Ela era a nova bibliotecária do lugar onde eu mais frequentava na cidade e confesso que passei a ir ainda mais. Diferente da senhora que mal olhava nos olhos das pessoas, Olivia* atendia com um sorriso sempre muito solícita. Começamos a conversar e pela primeira vez não estava com pressa, queria aproveitar o máximo que podia daquela mortal tão encantadora.[...] Não demorou muito para iniciarmos um relacionamento, Olivia não sabia o que eu era, mas vez ou outra levantava algumas suspeitas que prontamente eu derrubava por terra. Era o relacionamento que nunca tive mesmo quando ainda era humano, aquele vazio que senti por tantos anos eram preenchidos quando estava com ela, mas como você deve imaginar não era tão fácil. Evitava passar muitos dias sem me alimentar, jamais me perdoaria se prejudicasse Olivia, mas como aumentei a frequência de caça, atraí atenção que não queria. Determinadas áreas são controladas por clãs mais antigos, fazendo com que eles se tornem donos delas. Minhas caças eram nos arredores que já pertenciam a um desses clãs e não demorou muito para que viessem a minha procura. Não foi uma das conversas mais agradáveis que tive, o que resultou em uma discussão. que levou a uma briga e então uma ameaça de morte. No calor do momento eu não me dei conta que não estava sozinho naquela situação, anexei Olivia mesmo sem ela ter culpa alguma. Aquele dia decidi que não tinha como manter um relacionamento com uma humana, precisava decidir entre transforma-la ou abandona-la. Como de costume, fui a biblioteca para vê-la e então tomei minha decisão. Sentado em um telhado, esperei Olivia chegar em casa para apropriadamente falar com ela. Utilizei de todos os meus artifícios para fazer com que ela acreditasse que apenas estava me divertindo e que nunca de fato havia gostado dela. Me certifiquei de que ela havia acreditado em mim, avisei um integrante do clã que estava saindo e apaguei qualquer lembrança que pudesse me fazer querer voltar. Anos se passaram e eu decidi passar pela cidade. Olivia não trabalhava mais na biblioteca, ela havia casado e tinha dois filhos. Hoje eu vejo que a melhor coisa que fiz foi ter deixado ela, jamais poderia ter dado a vida tranquila e feliz que ela merecia. Eu me relacionei com outras pessoas no passar dos anos, até certo ponto eles funcionam, mas muitas vezes nocivo para quem é mortal. Apaixonar-se por humanos é fácil, mante-los vivos é que complica.[...]''

*Olivia: Nome fictício 


Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.


- Ys B.

© Ordem da Lua - 2018. Todos os direitos reservados.
Criado por:Ys B.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo