quarta-feira, 16 de novembro de 2016

''Quando descobri que era um lobisomem''




Continuação do relato ''Quando me tornei um lobisomem''

''Demorou para eu conseguir assimilar o que estava acontecendo. Em um momento estava me divertindo com alguns amigos e logo em seguida ''acordava'' em outro lugar que parecia uma zona de guerra. Não sabia o que fazer, o que pensar, Nada. Era um compilado de memórias em flashes e uma dor de cabeça insuportável. Eu ouvia qualquer ruido, meus olhos doíam de tantos detalhes que conseguia ver, meu olfato estava 100% melhor. Não conseguia controlar meus sentidos e realmente pensei que perderia o controle. Andei pela mata meio sem rumo, até perceber que estava indo em direção de um rio. Decidi que o melhor a fazer no momento era me lavar e tentar encontrar um local para saber onde estava. Quando sai da mata já estava quase escurecendo, encontrei rapidamente um desses hoteizinhos baratos que ficam na beira da estrada. Na confusão perdi minha carteira, me restando somente alguns trocados, que pelo menos dava para pagar o pernoite. A mulher do hotel nem prestou atenção em mim, apenas pegou o dinheiro e me jogou a chave, sem se importar com minhas roupas rasgadas e úmidas. No quarto fui descobrir que estava a dois estados do lugar onde morava e que desde meu aniversário já havia passado quatro dias. Até pensei em ligar para casa, voltar, pedir ajuda, mas quem acreditaria? Eu havia caído de um precipício sem chances nenhuma de sobrevivência. Na época eu não sabia, mas diagnosticaram meus amigos com estresse pós traumático, depois de me verem sendo atacado por um urso ou algo parecido (foi o que eles usaram para fechar o caso da minha morte). Era melhor eu ficar longe, sumir, aprender a viver com aquilo que eu ainda não sabia que me tornara. No fundo sentia que não era mais o mesmo, parecia que no meu corpo ao invés de sangue corria lava, que queimava todas as minhas entranhas. Fiquei algumas horas sentado na beirada da cama, olhando a cicatriz da mordida que ficara no meu ombro. Na madrugada meus sentidos estavam mais apurados, eu estava pronto para qualquer coisa que acontecesse, tinha sede de alguma ação e isso era totalmente fora do contexto da minha personalidade, levando em conta que sempre fui tranquilo. Lá pelas tantas da madrugada eu ouvi alguma coisa me chamar, parecia que estava do meu lado, mas não tinha ninguém perto de mim. Atentei-me ao cheiro e aparentava ser familiar, eu o conhecia sem precisar vê-lo. Sai do meu quarto disparando para a mata novamente, era como se as coisas tivessem em câmera lenta tamanha a velocidade que estava. Encontrei um homem sentado num galho de árvore, enquanto eu fiquei perto de um cume. ''- Mais uma cria daquele pilantra''. Foi exatamente essas palavras que ele usou, fiquei sem entender direito, mas perguntei se ele sabia o que estava acontecendo. ''- Quando você se perde, não deve levar ninguém para o mesmo buraco.''Ainda não entendia e estava começando a ficar irritado. Ele nunca respondia diretamente o que eu perguntava, aquilo fez meu sangue ferver e pela primeira vez fiquei ciente da minha transformação. Era como se aquele fogo que queimava lentamente, me consumisse por completo. Sentia meu corpo se expandindo, meus músculos enrijecendo e meu maxilar travado de raiva. ''- Finalmente.'' Ele disse transformando-se e parando na minha frente, ficamos nos encarando até que ele me atacou. Ainda não tinha pratica, fui jogado com tanta força em uma parede de pedra que algumas até quebraram. Mesmo com minha clara inexperiência, nossa briga foi quase igualitária, mas eu percebi que ele não tinha intenção de me matar, estava me testando.  Depois de alguns minutos que pareciam segundos de combate, ele voltou a sua forma de humana, aos poucos fui me acalmando e consegui me transformar novamente. Enfim ele me explicou o que tinha acontecido, o que me tornará e o que se passava na minha cidade. Alan* resumiu a história do lobisomem que atacou no camping e o que ele precisava fazer. Eu me tornei uma espécie de pupilo, sempre o acompanhando e por fim ajudando-o a concluir sua ''missão''. Fiquei os anos iniciais na sombra do Alan, aprendendo tudo com ele e me integrando com os demais. Anos mais tarde, sai por conta própria, vivendo como um nômade.''

*Alan: Nome fictício. 

Mais uma parte do relato de um lobisomem, contando como foram suas primeiras experiencias. Postarei mais a medida que for transcrevendo e adaptando para melhor entendimento.
Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

- Ys.

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