Era final de 2010, estava ajudando nas analises de uma nova escavação no sul da África e como ainda não tinha a mesma experiencia do meu querido amigo, fiquei responsável pela investigação das redondezas e possíveis traduções. Ainda era uma estudante nessa época e a oportunidade de poder fazer parte de um comboio de exploração daquele nível, me fazia parecer uma criança animada. Assim que chegamos ao local, conversamos com as autoridades que nos acompanhariam, fizemos uma breve reunião e decidimos montar acampamento próximo ao sitio. Nas imediações, havia um pequeno vilarejo, o qual eu e um companheiro fomos explorar. É difícil explicar o quão rico de história era aquele lugar, os desenhos nas paredes das casas feitas de barro, as mulheres carregando grandes cestos na cabeça, alguns tinham lindas pinturas nos rostos e corpo. De primeiro momento eles ficaram arredios com a nossa presença, mas o fato de sabermos falar a língua deles (mesmo que sem muita pratica), fizeram com que eles se sentissem mais à vontade. Voltamos ao acampamento acompanhados de um dos homens mais idoso da aldeia, para repassar as informações e também convida-los para uma espécie de rito de boas-vindas que aconteceria naquela noite. Juntos nos dirigimos a aldeia, assim que chegamos fomos recebidos por algumas mulheres que prontamente fizeram com tinta, algumas marcas em nossos rostos e braços. Também havia uma mulher que nos entregou uma bebida fortíssima (mistura de ervas), segundo ela para limpar nossas almas dos espíritos imundos, aquilo descia ardendo, mas era considerado falta de respeito se não aceitássemos. Fomos direcionados ao meio da vila,onde se encontrava o restante dos moradores. Todos estavam pintados de branco, usavam couro de animais e adornos brilhantes. Ficamos sentados no meio de um circulo, em frente a uma fogueira, onde eles dançavam com cobras, entoavam mantras e tocavam instrumentos em nossa volta. Depois desse pequeno ritual, estávamos liberados para curtir a festa. Após experimentar todas as iguarias que havia para nós, soube por meio de um adorável garoto, que a anciã do vilarejo gostaria de me encontrar. Meio sem entender segui a criança até uma das casas mais distante, percebi que nela havia escrituras antigas em línguas muito raras, uma fumaça cheirosa emanava do local. O garoto abriu a porta para mim e fez sinal para que entrasse, curiosa como sou, nem contestei. Abri uma cortina avermelhada, encontrando no local grandes cobertores de pelo de animais. No meio havia uma senhora deitada, envolvida em um manto escuro e rodeada por castiçais velhos. Curvei minha cabeça em sinal de respeito, ela estendeu sua mão e eu entendi que deveria beija-la. Sentei-me a sua frente em silencio, ela mantinha um sorriso pequeno no rosto, mas não havia falado nada. Quando eu pensei em abrir a boca para falar, ela movimentou-se e brevemente tocou minha cabeça com a ponta dos dedos. ''- És uma criança muito curiosa.'' lembro-me dela dizer com os olhos fechados ''- Sempre em busca do desconhecido.'' Dizia mantendo os dedos em minha cabeça e com a outra mão esfregava uma pedra brilhante. ''Nunca estarás sozinha e nunca será deixada em paz.'' Ela tirou sua mão da minha cabeça e no local colocou a pedra ''- Te olham daqui e do outro lado. Cuidado.'' A senhora voltou ao normal e me olhou no fundo dos olhos ''- Não sou eu quem digo. São eles.'' Fiquei alguns instantes em silencio e por fim bombardeei ela com minhas perguntas. A anciã vagamente explicou-me sobre suas práticas que iniciou muito cedo, disse que era como uma ponte entre os planos e que a morte era sua companheira. Ela exercia alguns rituais bem pesados e perturbadores, mas que eram ''necessários'' para aperfeiçoar suas técnicas. O garoto veio me buscar no instante que ela parou de falar, a senhora tocou minha mão e dessa vez ela a beijou.
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- Ys.

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