''Estava, provavelmente, na minha melhor fase. Recém formada, sendo inserida nos negócios sem fazer muito esforço e curtindo minha vida como deveria. Para mim, aquela era uma quarta-feira normal. Acordei com um irlandês maravilhoso do meu lado, depois de uma noite muito animada [...], recolhi minhas roupas no chão e me vesti no corredor do hotel mesmo. Eu não sei explicar exatamente, mas eu estava com uma sensação esquisita no corpo. Me sentia mais pesada, mais lenta, não sei [...]. O ar também parecia esquisito, seco e gelado. Deduzi sendo efeito da ressaca dos shots e do irlandês da noite anterior, mesmo que no fundo eu estivesse inquieta. Sai do hotel meio perdida, o cara havia me trazido de noite e eu estava ocupada demais para prestar atenção no caminho. Estranhamente meu coração estava acelerado, tinha o que parecia ser um formigamento no meu peito que subia até minha cabeça. Comprei um jornal em uma banca e segui para uma cafeteria, tinha certeza que era cafeina que estava faltando. Folheei o jornal, li todas as matérias e me atualizei das notícias do mundo financeiro aquele dia. Além daquela sensação estranha, ouvia um zumbido fraco no ouvido, assemelhava a estática ou algo assim. O resto do dia foi igualmente bizarro, as pessoas não pareciam realmente me ouvir ou ver. Eu estava ali, mas também não estava. Tudo parecia tão distante, eu sentia tudo, mas não absorvia muita coisa. Do nada aquele zumbido no ouvido ficou mais forte, as coisas na minha cabeça começaram a se embolar juntamente com vozes e imagens. E então acordei novamente no quarto junto com o irlandês, estava sufocada e enjoada. Eu tremia e na medida que encontrava as roupas no mesmo lugar que lembrava, piorava a situação. Olhei no celular e marcava exatamente o horário que havia olhado na primeira vez. Sai do hotel encontrando as mesmas pessoas, agora não estava perdida, fui diretamente para a banca, comprei o mesmo jornal onde havia as mesmas noticias. Garota, você me conhece e sabe o tipo de pessoa que sou, isso que aconteceu fugiu totalmente das minhas poucas crenças. Algumas pessoas disseram que poderia ser um déjá vu, mas não sei se foi isso, já que eu literalmente vivi um dia duas vezes. Todas as coisas naquele dia aconteceram duas vezes. Nunca mais aconteceu a mesma coisa, digo nessa intensidade, mas parece que ficou uma ligação, entende? Seja lá o que quer que tenha acontecido de verdade.''
Relato de uma amiga, que foi muito prestativa em me contar detalhadamente a história. Detalhado mesmo. Algumas coisas foram adaptadas/cortadas para melhor entendimento.
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- Ys.








