terça-feira, 29 de novembro de 2016

''Eu vivi um dia duas vezes''


''Estava, provavelmente, na minha melhor fase. Recém formada, sendo inserida nos negócios sem fazer muito esforço e curtindo minha vida como deveria. Para mim, aquela era uma quarta-feira normal. Acordei com um irlandês maravilhoso do meu lado, depois de uma noite muito animada [...], recolhi minhas roupas no chão e me vesti no corredor do hotel mesmo. Eu não sei explicar exatamente, mas eu estava com uma sensação esquisita no corpo. Me sentia mais pesada, mais lenta, não sei [...]. O ar também parecia esquisito, seco e gelado. Deduzi sendo efeito da ressaca dos shots e do irlandês da noite anterior, mesmo que no fundo eu estivesse inquieta. Sai do hotel meio perdida, o cara havia me trazido de noite e eu estava ocupada demais para prestar atenção no caminho. Estranhamente meu coração estava acelerado, tinha o que parecia ser um formigamento no meu peito que subia até minha cabeça. Comprei um jornal em uma banca e segui para uma cafeteria, tinha certeza que era cafeina que estava faltando. Folheei o jornal, li todas as matérias e me atualizei das notícias do mundo financeiro aquele dia. Além daquela sensação estranha, ouvia um zumbido fraco no ouvido, assemelhava a estática ou algo assim. O resto do dia foi igualmente bizarro, as pessoas não pareciam realmente me ouvir ou ver. Eu estava ali, mas também não estava. Tudo parecia tão distante, eu sentia tudo, mas não absorvia muita coisa. Do nada aquele zumbido no ouvido ficou mais forte, as coisas na minha cabeça começaram a se embolar juntamente com vozes e imagens. E então acordei novamente no quarto junto com o irlandês, estava sufocada e enjoada. Eu tremia e na medida que encontrava as roupas no mesmo lugar que lembrava, piorava a situação. Olhei no celular e marcava exatamente o horário que havia olhado na primeira vez. Sai do hotel encontrando as mesmas pessoas, agora não estava perdida, fui diretamente para a banca, comprei o mesmo jornal onde havia as mesmas noticias. Garota, você me conhece e sabe o tipo de pessoa que sou, isso que aconteceu fugiu totalmente das minhas poucas crenças. Algumas pessoas disseram que poderia ser um déjá vu, mas não sei se foi isso, já que eu literalmente vivi um dia duas vezes. Todas as coisas naquele dia aconteceram duas vezes. Nunca mais aconteceu a mesma coisa, digo nessa intensidade, mas parece que ficou uma ligação, entende? Seja lá o que quer que tenha acontecido de verdade.'' 

Relato de uma amiga, que foi muito prestativa em me contar detalhadamente a história. Detalhado mesmo. Algumas coisas foram adaptadas/cortadas para melhor entendimento.
Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

- Ys.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

''A vida como um lobisomem''


'' Com a ajuda de Alan*, aos pouco eu fui aprendendo como levar duas identidades ao mesmo tempo. Devo confessar que minha vida sendo humano é bem normal, como eu evito ficar muito mais que um ano em cada lugar, busquei uma profissão que pudesse acompanhar esse modo de vida. Trabalho como representante de vendas, o que possibilita que jamais fique na mesma área por um longo período. Regularmente eu preciso descarregar a raiva acumulada, se não fica perigoso para quem está ao meu redor e para mim, já que se me descontrolo posso chamar a atenção de caçadores ou outras coisas. Eu não culpo as pessoas por não acreditarem que existam diferentes criaturas, ou por exemplo, que do nada você pode se tornar uma delas. Eu era assim. É muito mais fácil de viver, fechando os olhos para isso. Acontecem coisas sem explicação, os que sabem escondem para se manterem a salvo, os que não sabem procuram desculpas e quando se é revelado, ninguém acredita. Apenas algumas pessoas sabem o que eu sou, e ou elas são criaturas como eu, ou são pessoas doidas como você [...]. Existem certos humanos com habilidades especiais, que sentem esse tipo de coisa, mesmo não acreditando na existência, eles sabem. Encontrar pessoas assim é perigoso, embora não sejam capazes de fazer algo, elas podem colocar outros olhares sobre você e isso pode ser uma sentença de morte. Minha vida como um lobisomem é sempre uma incógnita, tenho meus altos e baixos mesmo depois de tantos anos (mais de uma década), ainda preciso a cada dia superar minhas barreiras. Tem dias que eu acordo no meio da noite transformado, com as roupas rasgadas e pronto para lutar. Algumas vezes é mais fácil me acalmar e em outras parece que tudo vai explodir. Geralmente, nos meus dias ruins eu vou para algum lugar afastado e lá quebro tudo o que tenho direito. São dias escuros, onde basicamente flui no meu corpo raiva e sede por uma batalha. É perigoso e tóxico para os humanos, eu me transformo em uma besta completa e para atacar alguém não é necessário muita  coisa. Embora minha vida seja essa montanha russa tentando conciliar meus dois Eu's, estou conseguindo levar a vida com harmonia. Cada dia é um dia, eu preciso sempre estar consciente dos meus limites e constantemente lembrar da minha promessa de nunca machucar um humano.''

*Alan: Nome fictício. 

Mais uma parte do relato de um lobisomem, desta vez comentando um pouco sobre como leva a vida. Postarei mais a medida que for transcrevendo e adaptando para melhor entendimento.
Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

- Ys.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

''Ataque de vampiro''



''Era véspera de ano novo, como de costume sai para dar uma volta antes que o show de fogos começasse. Era uma noite fria e por estar em uma cidade praiana a brisa era mais gelada ainda. Decidi me afastar do conglomerado de pessoas que se formava na orla, definitivamente eu odiava multidões e só havia aceitado ir por insistência dos meus amigos. Caminhei meio sem rumo, a cidade estava praticamente vazia se comparado com a praia. Me afastei do centro indo em direção a um parque enorme que havia mais ao norte da cidade. Sentei-me em um banco mais escondido e acendi um cigarro, apenas observando um ou outro bêbado que passava tão sem rumo quanto eu. Perdi a noção do tempo que fiquei ali e quando me dei conta fui despertado pelos fogos da meia-noite. Na minha cabeça chapada era uma boa ideia subir em uma espécie de trilha que havia ali para tentar ver o show de fogos. Mais lento que o normal, fui subindo vez ou outra parando para tragar o cigarro. Cheguei na parte onde havia umas pedras, sentei-me ali e fiquei olhando a pouca movimentação abaixo de mim. Me surpreendi quando alguns pássaros saíram das arvores voando apressados, quer dizer, era passado da meia-noite ainda e aquilo não fazia sentido nenhum. Comecei a ouvir um barulho por entre as árvores, como se o vento passasse somente ali. Não muito longe de mim, eu vi um cara parado me encarando, da mesma forma fumando um cigarro, gritei com ele falando que não deveria ficar olhando os outros na escuridão e que ele havia me assustado. Do nada o cara sumiu, na hora eu achei que fosse alucinação, mas quando eu olhei para o outro lado lá estava ele parado com um pé na arvore. Meu coração acelerou, fiquei de pé já pronto pra correr. Não tinha como ele conseguir ir de um lado para o outro tão rápido, ou eu estava muito chapado ou aquele cara era o Flash. ''- Hey cara, o que está fazendo?" perguntei tentando não parecer tão assustado ''- Curtindo a noite.'' Ele disse dando um sorriso sarcástico. Procurei prestar atenção na aparência dele, era magro o que na minha cabeça daria para brigar, tinha a pele branca, dava para ver as tatuagens no pescoço e mãos. Naquela altura eu estava apavorado,havia algo nele que era bizarro e depois eu fui entender o porquê. Como em um piscar de olhos ele estava na minha frente, nem deu tempo de pensar direito quando com apenas um braço me jogou contra uma árvore. Tentei gritar, mas pelo impacto eu havia perdido o ar e não conseguia respirar. Ainda me recuperando do baque, fui me arrastando a medida que ele se aproximava de mim. Quando ele estava bem próximo, percebi que sua feição havia mudado, agora seus olhos estavam amarelados e alguns dentes estavam maiores. Naquele momento eu percebi que era o meu fim, estava paralisado de medo e aquilo definitivamente não era humano. Com a força do desespero, gritei até sentir minha garganta arder e ele se divertia com a situação. Ele parou em minha frente, cravando as unhas nos meus braços e quando foi me morder, ouvimos barulhos de fogos e gente rindo alto. Novamente comecei a gritar e então, tão rápido a coisa sumiu fazendo um rastro de folhas secas. Algumas pessoas chegaram onde eu estava, mesmo explicando ninguém acreditava, me levaram ao hospital e como viram que havia consumido maconha, não consideraram meu depoimento. No fim disseram que foi ataque de algum animal e que eu havia tido sorte por não ter me machucado mais quando caí da árvore (foi o que disseram). Nunca acreditei nessas coisas, para minha eram tão reais quanto coelho da pascoa, mas as cicatrizes de unhas nos meus braços não me deixam esquecer daquele encontro maldito.''

Depoimento de um sobrevivente de um ataque de vampiro, algumas coisas foram mudadas para melhor entendimento, mas nada tirado do contexto. 
Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.
                                                                                                                            
- Ys.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Caçadores de criaturas sobrenaturais


No ano retrasado, indo para uma palestra em Montevidéu tive o prazer de conhecer, por meio de uma parapsicóloga, um caçador de monstros. Como meu trabalho é praticamente exercido sobre pesquisas de campo, conheço muita gente de diversas áreas, que conhece mais gente e assim por diante. Enfim, sabendo que ficaria poucos dias, minha querida amiga tendo ciência do meu interesse pelo desconhecido, chamou o caçador e a mim para uma noite agradável antes de partir. Ele era um homem por volta dos 30 e poucos mais ou menos, não quis perguntar a idade por educação, mas deduzi isso pela sua fisionomia. Era de poucas palavras, o que complicava minha situação, já que eu estava curiosíssima para saber mais detalhadamente como ele levava a vida. Depois de alguns copos de Whisky, ele passou a abrir-se mais. Basicamente ele explicou-me que era chamado por famílias que estavam passando por situações inexplicáveis ou investigava por fora casos policiais sem resolução. Também disse que em alguns lugares a policia (poucos da policia sabiam) o contatava para ajudar nas investigações que fugissem do usual, da forma mais discreta possível e tendo em vista que a maioria das pessoas são céticas. Perguntei a ele como ficavam os casos em que, de fato, foram causados por seres sobrenaturais e segundo ele, a policia fechava o caso e dava o aval para caçar se ainda estivesse nas imediações. Indaguei o motivo de ter decidido se tornar caçador e ele apenas disse que começou estudando sobre, resolveu pequenos casos que apareciam e quando percebeu estava completamente envolvido. Victor* disse que estava em Montevidéu para ajudar uma família que custeou todas as despesas dele, contou-me meio por cima que era um caso simples de poltergeist e que não demorou para resolver. Victor também contou que existem muitos caçadores, mas que infelizmente a ''profissão'' estava completamente desmerecida e sendo motivo de chacotas por ações de civis. Infelizmente ele precisou sair antes que eu pudesse fazer mais perguntas, mas futuramente se tudo der certo, tenho planos de fazer mais alguns post sobre caçadores. Stay tuned.

*Victor: Nome fictício

Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

- Ys.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Encontro com uma necromante


Era final de 2010, estava ajudando nas analises de uma nova escavação no sul da África e como ainda não tinha a mesma experiencia do meu querido amigo, fiquei responsável pela investigação das redondezas e possíveis traduções. Ainda era uma estudante nessa época e a oportunidade de poder fazer parte de um comboio de exploração daquele nível, me fazia parecer uma criança animada. Assim que chegamos ao local, conversamos com as autoridades que nos acompanhariam, fizemos uma breve reunião e decidimos montar acampamento próximo ao sitio. Nas imediações, havia um pequeno vilarejo, o qual eu e um companheiro fomos explorar. É difícil explicar o quão rico de história era aquele lugar, os desenhos nas paredes das casas feitas de barro, as mulheres carregando grandes cestos na cabeça, alguns tinham lindas pinturas nos rostos e corpo. De primeiro momento eles ficaram arredios com a nossa presença, mas o fato de sabermos falar a língua deles (mesmo que sem muita pratica), fizeram com que eles se sentissem mais à vontade. Voltamos ao acampamento acompanhados de um dos homens mais idoso da aldeia, para repassar as informações e também convida-los para uma espécie de rito de boas-vindas que aconteceria naquela noite. Juntos nos dirigimos a aldeia, assim que chegamos fomos recebidos por algumas mulheres que prontamente fizeram com tinta, algumas marcas em nossos rostos e braços. Também havia uma mulher que nos entregou uma bebida fortíssima (mistura de ervas), segundo ela para limpar nossas almas dos espíritos imundos, aquilo descia ardendo, mas era considerado falta de respeito se não aceitássemos. Fomos direcionados ao meio da vila,onde se encontrava o restante dos moradores. Todos estavam pintados de branco, usavam couro de animais e adornos brilhantes. Ficamos sentados no meio de um circulo, em frente a uma fogueira, onde eles dançavam com cobras, entoavam mantras e tocavam instrumentos em nossa volta. Depois desse pequeno ritual, estávamos liberados para curtir a festa. Após experimentar todas as iguarias que havia para nós, soube por meio de um adorável garoto, que a anciã do vilarejo gostaria de me encontrar. Meio sem entender segui a criança até uma das casas mais distante, percebi que nela havia escrituras antigas em línguas muito raras, uma fumaça cheirosa emanava do local. O garoto abriu a porta para mim e fez sinal para que entrasse, curiosa como sou, nem contestei. Abri uma cortina avermelhada, encontrando no local grandes cobertores de pelo de animais. No meio havia uma senhora deitada, envolvida em um manto escuro e rodeada por castiçais velhos. Curvei minha cabeça em sinal de respeito, ela estendeu sua mão e eu entendi que deveria beija-la. Sentei-me a sua frente em silencio, ela mantinha um sorriso pequeno no rosto, mas não  havia falado nada. Quando eu pensei em abrir a boca para falar, ela movimentou-se e brevemente tocou minha cabeça com a ponta dos dedos. ''- És uma criança muito curiosa.'' lembro-me dela dizer com os olhos fechados ''- Sempre em busca do desconhecido.'' Dizia mantendo os dedos em minha cabeça e com a outra mão esfregava uma pedra brilhante. ''Nunca estarás sozinha e nunca será deixada em paz.'' Ela tirou sua mão da minha cabeça e no local colocou a pedra ''- Te olham daqui e do outro lado. Cuidado.'' A senhora voltou ao normal e me olhou no fundo dos olhos ''- Não sou eu quem digo. São eles.'' Fiquei alguns instantes em silencio e por fim bombardeei ela com minhas perguntas. A anciã vagamente explicou-me sobre suas práticas que iniciou muito cedo, disse que era como uma ponte entre os planos e que a morte era sua companheira. Ela exercia alguns rituais bem pesados e perturbadores, mas que eram ''necessários'' para aperfeiçoar suas técnicas. O garoto veio me buscar no instante que ela parou de falar, a senhora tocou minha mão e dessa vez ela a beijou.  

Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

- Ys.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

''Quando descobri que era um lobisomem''




Continuação do relato ''Quando me tornei um lobisomem''

''Demorou para eu conseguir assimilar o que estava acontecendo. Em um momento estava me divertindo com alguns amigos e logo em seguida ''acordava'' em outro lugar que parecia uma zona de guerra. Não sabia o que fazer, o que pensar, Nada. Era um compilado de memórias em flashes e uma dor de cabeça insuportável. Eu ouvia qualquer ruido, meus olhos doíam de tantos detalhes que conseguia ver, meu olfato estava 100% melhor. Não conseguia controlar meus sentidos e realmente pensei que perderia o controle. Andei pela mata meio sem rumo, até perceber que estava indo em direção de um rio. Decidi que o melhor a fazer no momento era me lavar e tentar encontrar um local para saber onde estava. Quando sai da mata já estava quase escurecendo, encontrei rapidamente um desses hoteizinhos baratos que ficam na beira da estrada. Na confusão perdi minha carteira, me restando somente alguns trocados, que pelo menos dava para pagar o pernoite. A mulher do hotel nem prestou atenção em mim, apenas pegou o dinheiro e me jogou a chave, sem se importar com minhas roupas rasgadas e úmidas. No quarto fui descobrir que estava a dois estados do lugar onde morava e que desde meu aniversário já havia passado quatro dias. Até pensei em ligar para casa, voltar, pedir ajuda, mas quem acreditaria? Eu havia caído de um precipício sem chances nenhuma de sobrevivência. Na época eu não sabia, mas diagnosticaram meus amigos com estresse pós traumático, depois de me verem sendo atacado por um urso ou algo parecido (foi o que eles usaram para fechar o caso da minha morte). Era melhor eu ficar longe, sumir, aprender a viver com aquilo que eu ainda não sabia que me tornara. No fundo sentia que não era mais o mesmo, parecia que no meu corpo ao invés de sangue corria lava, que queimava todas as minhas entranhas. Fiquei algumas horas sentado na beirada da cama, olhando a cicatriz da mordida que ficara no meu ombro. Na madrugada meus sentidos estavam mais apurados, eu estava pronto para qualquer coisa que acontecesse, tinha sede de alguma ação e isso era totalmente fora do contexto da minha personalidade, levando em conta que sempre fui tranquilo. Lá pelas tantas da madrugada eu ouvi alguma coisa me chamar, parecia que estava do meu lado, mas não tinha ninguém perto de mim. Atentei-me ao cheiro e aparentava ser familiar, eu o conhecia sem precisar vê-lo. Sai do meu quarto disparando para a mata novamente, era como se as coisas tivessem em câmera lenta tamanha a velocidade que estava. Encontrei um homem sentado num galho de árvore, enquanto eu fiquei perto de um cume. ''- Mais uma cria daquele pilantra''. Foi exatamente essas palavras que ele usou, fiquei sem entender direito, mas perguntei se ele sabia o que estava acontecendo. ''- Quando você se perde, não deve levar ninguém para o mesmo buraco.''Ainda não entendia e estava começando a ficar irritado. Ele nunca respondia diretamente o que eu perguntava, aquilo fez meu sangue ferver e pela primeira vez fiquei ciente da minha transformação. Era como se aquele fogo que queimava lentamente, me consumisse por completo. Sentia meu corpo se expandindo, meus músculos enrijecendo e meu maxilar travado de raiva. ''- Finalmente.'' Ele disse transformando-se e parando na minha frente, ficamos nos encarando até que ele me atacou. Ainda não tinha pratica, fui jogado com tanta força em uma parede de pedra que algumas até quebraram. Mesmo com minha clara inexperiência, nossa briga foi quase igualitária, mas eu percebi que ele não tinha intenção de me matar, estava me testando.  Depois de alguns minutos que pareciam segundos de combate, ele voltou a sua forma de humana, aos poucos fui me acalmando e consegui me transformar novamente. Enfim ele me explicou o que tinha acontecido, o que me tornará e o que se passava na minha cidade. Alan* resumiu a história do lobisomem que atacou no camping e o que ele precisava fazer. Eu me tornei uma espécie de pupilo, sempre o acompanhando e por fim ajudando-o a concluir sua ''missão''. Fiquei os anos iniciais na sombra do Alan, aprendendo tudo com ele e me integrando com os demais. Anos mais tarde, sai por conta própria, vivendo como um nômade.''

*Alan: Nome fictício. 

Mais uma parte do relato de um lobisomem, contando como foram suas primeiras experiencias. Postarei mais a medida que for transcrevendo e adaptando para melhor entendimento.
Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

- Ys.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Formas de se tornar vampiro - Feitiços e rituais (Egito antigo)



Há séculos o homem busca a imortalidade, não raro são descobertos papiros onde feitiços e rituais com tal finalidade são encontrados tão bem guardados como tesouros. Graças a minha profissão, tive acesso a muitos desses arquivos, que em sua grande maioria são levados para lugares longe dos olhos curiosos dos mortais. Um registro em particular encontrado em uma mesquita na cidade do Cairo, mostrava algumas praticas e citações sobre homens que se alimentavam de sangue e eram imortais. De fato não devemos levar a tradução ao pé da letra, mas podemos interpretar a nossa maneira. Nesse arquivo citava que eles poderiam ser mortos, mas que não envelheciam e era exatamente isso que os antigos queriam. Deixarei abaixo alguns feitiços e rituais que foram encontrados. Obviamente não colocarei os que envolviam coisas bizarras e nem os que de fato surtiram efeito (não tenho objetivo de imortalizar ninguém), mas sim os que não funcionaram para muitos e não tinham grandes chances de causar mal para quem o fizesse. Enfim, fica a critério de vocês testarem isso e se caso fizeram ficarei feliz (ou não) em saber os resultados.

1º Iluminando o caminho

- Velas
- Sândalo
- Hortelã
- Água pura
- Lã vermelha, linha ou algo parecido
- Garrafa de vidro

Em uma noite limpa (sem nuvens ou chuva), faça um circulo com as velas, coloque no meio um recipiente de vidro contendo o sândalo, a hortelã e um pouco de água. Amasse bem os ingredientes e coloque-os dentro da garrafa de vidro. A lã vermelha deve ficar com um pedaço imerso na água e o restante enrolar no bico da garrafa depois de tê-la trancado. Deixe a garrafa no meio do circulo até as velas se apagarem (para evitar que seja direcionado as trevas) e depois enterre-a em um local que jamais seja encontrada (isso garantiria sua eternidade).

2º Olho que tudo vê 

- Carvão
- Canela
- Mel
- Água aquecida
- Velas

Quando a lua estiver cheia e a noite estiver quente, coloque três velas formando um triângulo. Fique de joelhos em frente ao triângulo, desenhe com o carvão o Olho de Hórus bem no meio do triângulo, sobre o desenho coloque um recipiente com a água já aquecida. Misture a canela e em seguida coloque o mel. Deixe descansar por um breve momento enquanto, de olhos fechados, faz um pedido a noite. Recite algum encanto que conheça, ou apenas deseje com força o que almejas. Depois coloque sua mão sobre o olho esquerdo e novamente faça seu pedido em voz alta. Pegue o recipiente e dê um gole, use o restante do conteúdo para lavar-se mais tarde.

3º Sangue por sangue 

- Casca de laranja seca
- Fios do seu cabelo
- Vela/isqueiro (qualquer coisa com fogo)
- Folhas secas
- Faca
- Álcool

Esse pode ser feito a qualquer hora do dia. Em um recipiente coloque a casca de laranja, as folhas secas, o álcool e ateie fogo. Pegue a faca, corte alguns fios de cabelo e jogue no fogo. Com a mesma faca, faça um pequeno corte/furo no dedo e deixe um pouco de sangue cair na pequena fogueira, Faça seu pedido enquanto ainda estiver aceso, espere terminar, enterre tudo e coloque dois gravetinhos em forma de X.

Como deixei claro no inicio do post, há indícios de que fizeram isso, alguns deram e outros não. Não há nada de certeza absoluta, assim como também não tem na forma mais popular de transformação. Mais para frente postarei mais sobre feitiços e rituais de diversas espécies de criaturas.

Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei o conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

-Ys.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

''Quando me tornei um lobisomem''


''Era 24 de outubro, eu estava no auge da minha juventude e comemorava meu 20º aniversário com alguns amigos em um camping longe da cidade. Decidimos ir para poder beber e ficar com algumas garotas sem nos preocupar com a movimentação. Era um dia bastante quente e pela noite estar bem limpa, quisemos dar uma volta perto do rio. Eu deveria ter ouvido meu sexto sentido quando alguns barulhos na mata foram ouvidos, meus amigos quiseram ir embora, mas eu disse que estava tudo bem. Não estava tudo bem. De longe, em algum lugar no meio daquelas arvores enormes estávamos sendo observados, eu sentia os olhos acompanhando nossos movimentos. Eu deveria ter feito alguma coisa, mas não fiz e isso me custou muita coisa. Nosso plano era fazer uma pequena trilha que havia envolta do rio, mas acabamos nos direcionando para a beira do morro, com o propósito de ver as luzes da cidade. O que aconteceu depois ainda aparece em flashs na minha cabeça, lembro-me perfeitamente da gritaria e em particular um rugido animalesco. Foi uma correria horrível, eu vi aquela besta correndo atras de uma das garotas que estava conosco, em um ato de coragem ou burrice, me joguei na frente antes dele atacar ela, caindo junto com ele morro abaixo. Senti suas unhas rasgarem minhas costas e seus dentes cravar no meu ombro. Ainda lutando para me manter consciente, percebi vagamente que o impacto da queda havia sido amortecido pelo corpo enorme daquilo. Consegui manter meus olhos abertos enquanto via aquela coisa se afastar de mim mancando. Fiquei horas deitado imóvel ouvindo o barulho de longe do que eu deduzi que era de sirenes. Eu havia caído entre algumas pedras e quando aquela coisa saiu me jogou para uma parte mais afastada. Eu estava ciente de que morreria, não conseguia mover nem mesmo meus lábios. Estava paralisado e sangrando. Com o passar do tempo (no momento eu não sabia, mas já estava a mais de 24 horas naquele estado) comecei a sentir um calor se alastrando pelo meu corpo, na hora pensei que era a morte se aproximando, mas na medida que o calor aumentava parecia que eu me sentia com mais força. Uma dor inexplicável tomou conta do meu corpo, aparentava que meus órgãos e músculos estavam sendo rasgados e queimados. Eu queria gritar, mas nenhum som saia da minha boca, era horrível e eu só conseguia desejar estar morto. Então veio um apagão e mais alguns flashs de uma correria na mata. Acordei em outro lugar, minhas roupas ensanguentadas e completamente rasgadas. Ao meu redor havia pedaços de animais mortos e não fazia ideia de como tinha chegado ali, mas eu sabia que não era o mesmo quando percebi que estava completamente curado. [...]''

Relato de um lobisomem sobre como foi que tornou-se, futuramente tentarei postar o relato de sua primeira transformação. Não coloquei nome para não identifica-lo. Podem mandar relatos e perguntas, serei discreta e não colocarei nomes se assim for necessário. Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei seu conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.  
- Ys.

O desconhecido conhecido - Vampiros



Faz anos que busco compreender um pouco mais sobre o que há de mais obscuro no mundo. Passei minha adolescência com a cara enfiada nos livros tentando entender pelo menos uma parte do que já nos fora revelado. Em um século onde tudo nos causa desconfianças, as coisas sobrenaturais que antes eram cegamente acreditadas, hoje apenas se tornaram lendas. Mas, nem tudo fora esquecido no passado. O anonimato se tornou crucial para a sobrevivência de muitas espécies de criaturas sobrenaturais, que antes livremente assombravam os humanos e agora esforçam-se ao máximo para esconder-se nas sombras. Se antes alguns eram imbatíveis, hoje o homem com sua tecnologia conseguiu equiparar-se a algumas espécies.

''Assim que atingi certa idade, fui atras de algumas coisas que me incomodavam. Falando com pessoas certas, conheci alguém que chamarei de Toni*. Era inicio de 2013, depois de passar por uma nova mudança, continuei minha procura por novos conhecimentos. Após muita insistência, Toni aceitou falar comigo, depois de segundo ele, tomar medidas preventivas. Algumas pessoas que facilitaram esse encontro explicaram que eu não fazia o tipo que almejava ser transformada, era apenas puramente educativo. 
Toni era menor do que eu imaginava que fosse um vampiro, mas sua presença era de fato muito intimidadora, Aquela sensação de ser a presa não parava de rondar a minha cabeça. Como nos filmes mais antigos, sua pele era mais pálida que o normal e se você prestasse bastante atenção perceberia que ele não respirava. Não tinha nada de diferente em seu rosto, mesmo sendo uma beleza comum, era muito mais charmoso do que o normal. Deduzi que a beleza era utilizada para atrair presas. Atentei-me aos detalhes mais pequenos, seus caninos não eram grandes como imaginava e ele também não se afetava com a claridade. 
Em poucas palavras ele explicou-me como fazia para sobreviver: quando não se aproveitava de alguma vitima de acidente fatal, ia atras de pessoas ''excluídas'' da sociedade. Ele mesmo disse que estava fazendo um favor para os mortais. Segundo ele, o século XXI estava sendo o pior para sobreviver, que antes era fácil conseguir se alimentar sem ser pego, mas agora os humanos tinham armas fatais contra sua espécie.''

 Vagamente ele comentou sobre os ''tipos'' de vampiros, mas isso deixarei para um post mais detalhado futuramente. Esse relato foi mandado por uma pessoa que conheci alguns anos.

*Toni: Nome fictício para preservar a identidade verdadeira.

Caso tenha algum relato que queira compartilhar, mande para mim seu email e deixe avisado no chat o assunto. Mandarei um email, avaliarei o conteúdo e entrarei em contato o mais rápido possível.

- Ys.

© Ordem da Lua - 2018. Todos os direitos reservados.
Criado por:Ys B.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo